TIM avalia retomar controle de negócio de fibra no Brasil

Operadora negocia a recompra de uma participação vendida em 2021 e pode decidir sobre a operação já em fevereiro. Movimento reflete dificuldades do modelo independente de redes neutras de fibra no país.
3 de fevereiro, 2026

A TIM Brasil está em conversas para recomprar 51% de participação em um negócio de redes de fibra ótica que ela própria controlava até 2021. A operação, ainda em fase preliminar, pode chegar a cerca de US$ 170 milhões e, se concluída, devolveria à operadora o controle operacional total da empresa.

A companhia confirmou, em fato relevante, que mantém negociações não vinculantes com a IHS Brasil para adquirir uma participação na I-Systems, empresa de infraestrutura de fibra. Até o momento, não há acordo sobre preço, estrutura da transação ou prazo para conclusão, segundo a própria TIM.

A I-Systems foi criada originalmente como FiberCo e teve 51% de seu capital vendido em 2021 pela TIM SA para a IHS Towers, em linha com uma estratégia adotada por operadoras globais de monetizar ativos de infraestrutura. A venda permitiu levantar recursos e compartilhar os elevados investimentos exigidos pela expansão das redes de telecomunicações.

Nos últimos anos, porém, esse modelo tem mostrado limites no mercado brasileiro. Operadores neutros de fibra, como a IHS, enfrentam dificuldades para atingir a escala de clientes necessária para sustentar operações independentes, segundo pessoas com conhecimento das negociações. Nesse contexto, a recompra da participação daria à TIM o controle pleno da operação da I-Systems.

De acordo com essas fontes, o ativo estaria avaliado em cerca de 900 milhões de reais, o equivalente a aproximadamente US$ 171 milhões. As conversas não são públicas, e os envolvidos preferiram não ser identificados.

A iniciativa conta com o aval da controladora da TIM Brasil. A Telecom Italia, que detém cerca de 67% da operadora brasileira, autorizou no mês passado o avanço das negociações e contratou o banco Rothschild como assessor financeiro da possível transação. A TIM pode submeter o negócio à aprovação de seu conselho já em 10 de fevereiro, quando divulga os resultados anuais, embora as fontes alertem que o fechamento pode levar mais tempo.

O movimento não é isolado no setor. A recompra espelha decisão recente da Vivo, que retomou no ano passado o controle integral da FiBrasil, joint venture de fibra lançada em 2020. No caso da TIM, a I-Systems atua hoje em 41 cidades brasileiras e cobre uma área que inclui 9,3 milhões de domicílios.

Pela estrutura atual da joint venture, a I-Systems é responsável pela construção, operação e manutenção da infraestrutura de fibra, enquanto a TIM atua como cliente âncora, com um contrato de longo prazo para uso da rede. A eventual recompra da participação da IHS encerraria esse modelo e reintegraria a operação à estratégia direta da operadora no mercado brasileiro.