Entre o final de 2022 e o início de 2023, a organização passou pelo que foi chamado internamente de ano da eficiência, período em que eliminou cerca de 21 mil postos de trabalho. Naquela época, a decisão foi uma resposta direta ao crescimento acelerado durante a pandemia, que se mostrou impossível de manter a longo prazo devido às flutuações do mercado. Diferente daquele cenário de instabilidade, a empresa apresenta agora um desempenho financeiro robusto, tendo fechado o último ano com receitas que ultrapassaram a marca de 200 bilhões de dólares e lucros próximos de 60 bilhões de dólares.
Apesar da solidez no balanço, a estratégia atual foca na simplificação das hierarquias e no aumento da produtividade por meio de ferramentas tecnológicas. Segundo a Reuters, a Meta planeja eliminar aproximadamente oito mil postos de trabalho a partir de maio de 2026. Segundo informações de bastidores, o início das dispensas está previsto para o dia 20 de maio, sendo este apenas o primeiro passo de um cronograma de reduções que poderá avançar até o ano de 2026. Essa iniciativa faz parte de um plano de reestruturação focado no uso intensivo de inteligência artificial para otimizar as operações internas.
O comando da empresa tem direcionado recursos massivos para que a tecnologia transforme a forma como a organização funciona no dia a dia. Recentemente, a estrutura passou por reorganizações na divisão de laboratórios de realidade e pela criação da Applied AI, uma unidade voltada ao desenvolvimento de sistemas autônomos capazes de escrever códigos de programação e realizar tarefas de alta complexidade. O objetivo central é a criação de agentes inteligentes que executem funções anteriormente dependentes de esforço humano. Além disso, parte do contingente atual será realocado para uma nova unidade focada em pequenas empresas.
A movimentação da companhia responsável por redes sociais populares não é um fato isolado no ecossistema de tecnologia dos Estados Unidos. As demissões acompanham uma tendência do setor de priorizar a eficiência operacional em detrimento de equipes numerosas. No último ano, o mercado viu a Amazon reduzir 30 mil posições corporativas e a fintech Block realizar cortes em quase metade do seu quadro de pessoal, justificando as medidas pelos ganhos de escala proporcionados pela automação. Desde o início do ano corrente, mais de 73 mil profissionais da área de tecnologia foram desligados de suas funções em diversas empresas.
No encerramento de dezembro, a Meta contava com cerca de 79 mil colaboradores fixos. Embora a escala exata dos cortes futuros ainda dependa da evolução das capacidades técnicas da inteligência artificial, o plano de redução de 10% da força de trabalho atual já é considerado o maior ajuste operacional da empresa desde a crise pós-pandemia. A ausência de comentários oficiais sobre o cronograma reforça que as decisões estão sendo moldadas pela velocidade com que as novas ferramentas de automação são integradas aos processos de gestão e desenvolvimento de software.










