O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)tem orientado sua política recente para a construção de soberania tecnológica com foco na internalização de conhecimento avançado no Brasil. Nesse contexto, o Programa Manna Champion Chip foi incluído entre os projetos prioritários da pasta e está sendo executado sob coordenação da Softex, com participação do Núcleo Softex Campinas.
A iniciativa seleciona professores da rede pública para atuarem como residentes e multiplicadores de conhecimento em microeletrônica, com ênfase na fabricação de chips, ou circuitos integrados. Trata-se de uma tecnologia essencial para o funcionamento de computadores, smartphones, veículos, eletrodomésticos, equipamentos hospitalares, satélites e sistemas de inteligência artificial. As inscrições estão abertas até 25 de janeiro.
O programa foi desenhado para enfrentar a escassez de profissionais qualificados na indústria de semicondutores, considerada a base da transformação digital atual, incluindo aplicações como inteligência artificial e redes 5G. A proposta é atuar na formação inicial, criando um efeito multiplicador a partir das escolas públicas.
A articulação acadêmica do projeto é conduzida pelo Napi Manna Academy. Para a professora Linnyer Beatrys Ruiz Aylon, da Universidade Estadual de Maringá, a inovação deve ser tratada como uma competência permanente do cidadão e integrada aos currículos em todas as etapas de ensino. Na sua avaliação, levar esse conteúdo às escolas amplia a capacidade de uso consciente da tecnologia e favorece soluções alinhadas a desafios ambientais, sociais e de governança.
Os dados do setor ajudam a explicar a prioridade dada ao tema. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores, a produção nacional de circuitos integrados movimenta mais de R$ 3 bilhões por ano e gera cerca de 2,5 mil empregos diretos de alta qualificação. No cenário internacional, estimativas da Gartner apontam que a receita global do mercado de semicondutores passou de US$ 533 bilhões em 2023 e pode alcançar US$ 1,5 trilhão em 2030, com perspectiva de chegar a US$ 2 trilhões até 2040.
No Brasil, o setor já concentra investimentos anuais de cerca de R$ 551,56 milhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de uma infraestrutura que soma aproximadamente R$ 14 bilhões. Esse nível de maturidade econômica, no entanto, amplia a pressão por expansão do capital humano especializado, justamente o ponto em que o Manna Champion Chip busca atuar.
Para viabilizar o programa, o MCTI estruturou um pacote de apoio financeiro e pedagógico. Estão previstas 30 bolsas de residência no valor de R$ 1,2 mil por até 15 meses, além da distribuição gratuita de kits tecnológicos e materiais didáticos específicos. O percurso formativo tem carga horária de 360 horas e inclui visitas técnicas a centros de tecnologia, oferecendo aos participantes uma visão prática da cadeia global de semicondutores. Do ponto de vista educacional, a iniciativa introduz o conceito de Escolas Exponenciais, que integra pessoas e tecnologias em ambientes de aprendizagem orientados à inovação.



