Pressão da inteligência artificial começa a encarecer o armazenamento na cloud

O crescimento acelerado da inteligência artificial está a criar efeitos colaterais fora do software e dos algoritmos. Segundo a cdmon, a pressão sobre componentes físicos como memória e discos de armazenamento poderá traduzir-se, de forma progressiva, num aumento dos preços dos serviços de armazenamento na cloud e num risco acrescido para a fiabilidade das infraestruturas.
16 de janeiro, 2026

O armazenamento na cloud assenta em grandes centros de dados, compostos por servidores, memória RAM e sistemas de discos responsáveis por guardar e disponibilizar informação a empresas e utilizadores. É nesta base física que a empresa identifica os primeiros sinais de tensão, associados ao crescimento da procura impulsionado pela adoção da inteligência artificial.

De acordo com a cdmon, os preços da memória RAM e dos discos de armazenamento já registam aumentos, mas o problema central reside no ciclo de vida limitado destes componentes. À medida que os fornecedores são obrigados a substituir peças por desgaste ou fim de ciclo, o custo dessa renovação é hoje significativamente mais elevado do que em anos anteriores. Em infraestruturas de grande escala, onde a substituição de componentes é contínua, o impacto acumulado desses aumentos torna-se mais sensível.

Para além da vertente económica, a empresa alerta para um risco operacional associado à escassez de componentes. A contenção de custos pode levar alguns operadores a adiar a substituição de discos rígidos que já ultrapassaram a sua vida útil. Sendo equipamentos com partes mecânicas, estes discos tendem a degradar-se com o tempo, aumentando a probabilidade de falhas e incidências no acesso à informação.

Neste cenário, o impacto final recai sobre o cliente, que pode enfrentar interrupções de serviço ou, em situações mais graves, perda de acesso aos seus dados. A cdmon enquadra este risco em decisões de gestão que privilegiam a poupança imediata em detrimento da renovação atempada do hardware, contrariando as boas práticas associadas aos ciclos de vida dos equipamentos.

O eventual ajustamento de preços, segundo a empresa, não deverá ocorrer de forma abrupta. Os clientes com planos anuais já contratados manteriam, para já, os valores acordados, enquanto as novas adesões seriam as primeiras a refletir as variações. Esta abordagem gradual procura acomodar a pressão nos custos sem provocar ruturas imediatas no mercado.

A análise da cdmon surge num contexto de procura global em forte crescimento. O relatório AI Index 2025 aponta para investimentos em inteligência artificial, em 2024, de 9,3 mil milhões de dólares na China, 101,9 mil milhões nos Estados Unidos e 4,5 mil milhões no Reino Unido, além de uma evolução rápida na capacidade dos modelos entre 2022 e 2024. Para a empresa, estes números ilustram um interesse crescente que esbarra em limites físicos de fornecimento, levando os grandes fornecedores a direcionar a venda de memória para quem paga mais, enquanto os discos rígidos disponíveis no mercado já são mais caros do que há um ano.

Combinando procura elevada, restrições de oferta e dependência de ciclos de renovação de hardware, a cdmon antecipa que o encarecimento do armazenamento na cloud tende a consolidar-se ao longo do tempo, com subidas progressivas que poderão prolongar-se nos próximos anos, à medida que o mercado continua a exigir mais capacidade e a pressão sobre componentes críticos se mantém.