Microsoft enfrenta entraves no Quénia para avançar com centro de dados de mil milhões

As negociações entre a Microsoft, a G42 e o Governo do Quénia para a construção de um grande centro de dados alimentado por energia geotérmica entraram num impasse devido a divergências sobre garantias financeiras e consumo energético. O projeto, apresentado em 2024 como um dos maiores investimentos tecnológicos na África Oriental, poderá agora ser redimensionado.
11 de maio, 2026

Segundo a Bloomberg, a Microsoft e a G42, grupo tecnológico sediado em Abu Dhabi, enfrentam dificuldades nas negociações com o Governo do Quénia para a construção de um centro de dados na África Oriental, depois de divergências relacionadas com garantias de pagamento terem atrasado o avanço do projeto.

Segundo fontes próximas do processo, as duas empresas pretendiam que o executivo queniano assumisse um compromisso anual de compra de determinada capacidade do centro de dados. O Governo não terá conseguido oferecer garantias no nível exigido pela Microsoft, levando ao bloqueio das conversações.

O projeto, anunciado em 2024, previa um investimento de mil milhões de dólares num centro de dados alimentado por energia geotérmica, com uma capacidade inicial estimada em 100 megawatts. A ambição passava por expandir a infraestrutura até um gigawatt, numa das maiores apostas de computação em cloud da região.

Apesar das dificuldades, o Governo queniano, citado pela Bloomberg, garante que o projeto não foi abandonado e que as conversações continuam em curso, embora reconheça que a dimensão da infraestrutura ainda exige ajustes ao nível técnico e financeiro. As necessidades energéticas do centro de dados continuam igualmente em discussão.

A questão da energia tornou-se um dos pontos centrais do processo. O Presidente do Quénia admitiu recentemente que o consumo previsto para a infraestrutura poderia ultrapassar a capacidade disponível do país. Numa intervenção pública em Nairobi, afirmou que seria necessário desligar metade do país para alimentar o centro de dados.

Philip Thigo, enviado especial do Quénia para a tecnologia, procurou mais tarde clarificar que o comentário do chefe de Estado pretendia apenas sublinhar a dimensão dos requisitos energéticos associados às infraestruturas digitais de nova geração.

As divergências financeiras e os desafios relacionados com o fornecimento energético poderão levar a Microsoft e a G42 a reduzirem a dimensão do investimento inicialmente previsto.

As negociações para um projeto alternativo de menor dimensão, estimado em 60 megawatts e desenvolvido em parceria com a empresa local EcoCloud, continuam entretanto a decorrer.

O centro de dados era considerado a peça central do compromisso assumido pela Microsoft para apoiar o desenvolvimento de inteligência artificial no Quénia, incluindo programas de formação profissional e novos modelos de software. A infraestrutura teria também um papel estratégico no reforço da capacidade regional de computação em cloud, numa altura em que empresas chinesas continuam a expandir a sua presença tecnológica em África.

O projeto representava ainda a primeira iniciativa conjunta entre a Microsoft e a G42 após o investimento de 1,5 mil milhões de dólares realizado pela tecnológica norte-americana na empresa dos Emirados Árabes Unidos. Antes desse acordo, a G42 tinha-se comprometido a alienar participações chinesas e a remover equipamento tecnológico de origem chinesa das suas operações.

Para a Microsoft, o centro de dados no Quénia integrava uma estratégia global de expansão da capacidade de computação para suportar o crescimento do negócio de cloud e inteligência artificial. Brad Smith, presidente da empresa, tinha apresentado o investimento como um sinal da cooperação tecnológica e diplomática entre os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos.