Em mais um capítulo emblemático da crescente judicialização de disputas envolvendo tecnologia empresarial no Brasil, o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou a sentença que havia favorecido a SAP, multinacional alemã de software corporativo, em processo movido pela Federação Espírita Brasileira (FEB). O motivo? Um laudo pericial considerado falho, que serviu de base para a decisão anterior.
A reviravolta judicial foi impulsionada pela atuação da EvidJuri, empresa especializada em auditorias e perícias judiciais, que apontou inconsistências técnicas graves no parecer pericial original. Com a anulação, o processo retorna à estaca zero – ou, nas palavras do próprio Tribunal, “à tramitação regular”. Os valores que podem vir a ser ressarcidos à FEB, caso o desfecho final lhe seja favorável, já estão atualizados em R$ 3,5 milhões.
A origem do impasse remonta à contratação de um sistema ERP fornecido pela SAP, que, segundo a FEB, foi marcado “por uma série de falhas e inconsistências” desde sua implementação. A instituição alegou que o software – projetado para integrar processos administrativos e operacionais – não funcionou como prometido, afetando diretamente sua operação.
A SAP, por sua vez, se defendeu afirmando que os problemas decorreram de má utilização do sistema por parte da entidade cliente, o que, em tese, afastaria sua responsabilidade técnica. O confronto de versões acabou por parar na Justiça, onde um laudo pericial mal conduzido acabou influenciando uma decisão que agora se revelou insustentável.
O caso joga luz sobre dois temas sensíveis no ecossistema digital e jurídico brasileiro. O primeiro: a vulnerabilidade de muitas organizações na contratação e gestão de soluções de TI complexas, como os sistemas ERP. O segundo: as fragilidades dos mecanismos judiciais quando dependem de perícias técnicas especializadas – especialmente em temas de alta complexidade tecnológica, onde o rigor metodológico é vital.
Com o processo retomado, tanto a FEB quanto a SAP voltam à arena judicial num cenário em que não apenas os números estão em jogo, mas também a confiança em soluções tecnológicas e nos mecanismos legais que deveriam regular suas falhas.
A batalha, agora, está longe de ser apenas sobre milhões a devolver – trata-se de reputação, responsabilidade e da própria credibilidade da Justiça diante de uma economia cada vez mais digitalizada.



