Judiciário brasileiro articula a padronização de inteligência artificial em Brasília

O Conselho Nacional de Justiça promove o encontro IAJus 2026 para consolidar o uso de ferramentas generativas e a integração tecnológica entre tribunais, com o lançamento da plataforma Sinapses 2.0 e novos marcos regulatórios.
17 de abril, 2026
Imagem gerada por IA

A trajetória da inteligência artificial no sistema jurídico brasileiro ganha um novo capítulo em Brasília, no dia 24 de abril, com a realização do IAJus 2026. O evento, organizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por meio de seu comitê especializado, marca um esforço de coordenação institucional para transformar experimentos isolados em uma infraestrutura tecnológica compartilhada. O encontro ocorre em um cenário onde o interesse pela tecnologia, antes incipiente conforme apontado em levantamentos de 2024, deu lugar à necessidade de uma implementação estruturada.

Um dos pilares dessa estratégia é a apresentação do Sinapses 2.0, que atua como um repositório nacional destinado ao compartilhamento de modelos de inteligência artificial entre diferentes órgãos. A proposta central da plataforma é evitar a redundância de esforços, permitindo que uma solução desenvolvida por uma corte específica possa ser reaproveitada por outros tribunais, otimizando o gasto público e a curva de aprendizado tecnológico.

A evolução desse panorama será detalhada com a divulgação da segunda edição da pesquisa sobre o uso de inteligência artificial generativa no Judiciário, que oferece um diagnóstico atualizado sobre a adoção dessas ferramentas. Este novo levantamento servirá de base para a criação de políticas e diretrizes setoriais, sucedendo os dados de 2024, que indicavam uma fase de transição entre a curiosidade técnica e a aplicação prática.

A programação, que será aberta pelo ministro Edson Fachin, presidente do CNJ e do STF, inclui ainda a abertura de um edital de chamamento público para atrair soluções de IA desenvolvidas por instituições públicas, privadas e pelo setor acadêmico. O objetivo é fomentar um ecossistema de inovação que atenda às demandas de automação de fluxos de trabalho e suporte à pesquisa jurídica.

Durante os painéis temáticos, serão demonstradas tecnologias já operacionais, como o Intelliagent do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que integra capacidades de IA diretamente nas interfaces de gestão processual. O evento será encerrado com discussões sobre a governança e as prioridades regulatórias estabelecidas pela Resolução CNJ n. 615/2025, que define as normas para o uso da tecnologia no setor.