Inteligência Artificial acelera na Black Friday enquanto a sombra dos ataques cresce

Os assistentes automáticos estão a transformar a corrida às promoções em algo mais rápido e mais preciso, mas a mesma tecnologia está a tornar o terreno fértil para novas formas de burla digital. A Black Friday aproxima-se e a tensão entre conveniência e risco volta a aumentar.
19 de novembro, 2025

A inteligência artificial entrou definitivamente na rotina de compra dos consumidores, seja através de sugestões afinadas ao perfil de cada utilizador ou de sistemas que executam compras de forma autónoma. Os números da Kaspersky mostram essa mudança: 72 por cento dos inquiridos já usaram IA e 30 por cento confiam nela para tarefas diárias como listas de compras e controlo de orçamento. Segundo a empresa, a procura por estas ferramentas deverá intensificar-se nas próximas semanas.

A evolução do comportamento dos utilizadores acompanha a oferta tecnológica. A IA passou de simples comparadora de preços a agente que vigia produtos, avalia condições e finaliza a compra assim que o preço certo surge, como no caso de um televisor que dispara para a lista de encomendas assim que quebra o limite definido. O comércio autónomo deixa de ser uma ideia hipotética e entra no quotidiano.

O retalho não fica atrás. Plataformas de e-commerce ajustam stocks e preços com modelos preditivos, afinam recomendações em tempo real e abrem a porta a chatbots capazes de acompanhar o cliente desde a pesquisa até ao pagamento. Em algumas marcas, o próprio chatbot é a montra, o catálogo e o balcão.

Esta velocidade traz vulnerabilidades difíceis de ignorar. Os agentes de IA que tomam decisões de compra criam novos caminhos para ataques, desde manipulações que empurram o utilizador para sites maliciosos até tentativas de recolha de credenciais. A Kaspersky alerta que técnicas de prompt injection são hoje usadas para interferir com chatbots, levando ao risco de fraude financeira ou fuga de dados.

A pressão promocional abre ainda mais espaço à engenharia social. No ano passado, a Kaspersky observou um crescimento de quase 25 por cento nas ameaças dirigidas ao retalho nas semanas que antecederam a Black Friday, com e mails de phishing que imitavam grandes marcas e promoviam descontos que nunca existiram.

Apesar do cenário, há margem para equilibrar conveniência e segurança. Uma das recomendações passa por afinar as instruções dadas aos assistentes. Pedidos vagos tendem a gerar respostas pouco úteis, enquanto critérios detalhados ajudam a obter resultados mais claros e mais próximos do objetivo final.

A gestão de informação sensível continua a ser decisiva. Evitar entregar dados de pagamento a extensões ou ferramentas de origem pouco clara, reforçar contas com autenticação multifatorial e recorrer a métodos de pagamento com proteção contra fraude reduz a exposição. É de sublinhar ainda o papel das soluções de segurança com proteção específica para transações online.

O passo final é tão simples quanto determinante. Confirmar a morada do site antes de introduzir qualquer dado e ignorar links de e mails e anúncios suspeitos continua a ser uma das barreiras mais eficazes. Soluções com deteção anti phishing suportadas por IA podem reforçar esta linha de defesa.

A Black Friday promete acelerar a adoção da IA no comércio, mas também o uso da mesma tecnologia por cibercriminosos. A combinação entre automação e cuidados básicos permite aproveitar promoções sem cair nas armadilhas digitais que acompanham a época.