Indústria de componentes eletrónicos acelera a sua adaptação às novas normas de ciber-resiliência

A crescente conectividade dos sistemas empresariais e a próxima aplicação da Lei da Ciber-resiliência na União Europeia estão a obrigar os fabricantes de hardware a integrar sistemas de proteção no núcleo das suas arquiteturas, uma transformação do mercado que será o tema central da próxima edição do encontro profissional Electronica, em Munique.
22 de junho, 2026

Os sistemas industriais, os veículos e as infraestruturas energéticas transformaram-se em redes eletrónicas complexas que dependem de software para o seu controlo e atualização, uma conectividade constante que exige que os componentes eletrónicos sejam capazes de detetar intrusões cibernéticas, conter falhas e permitir a instalação de patches de segurança de forma fiável. E a ameaça agrava-se com a integração da inteligência artificial, que introduz riscos adicionais, como a manipulação de dados de treino ou a alteração dos próprios modelos algorítmicos corporativos.

A urgência de abordar este cenário de vulnerabilidade fica patente em relatórios recentes sobre o panorama das ameaças, como os documentos de análise técnica europeia para o ano de 2025, que assinalam que a administração pública e o setor dos transportes são os alvos mais frequentes dos ciberataques, muitas vezes através de técnicas de suplantação de identidade utilizadas para aceder à tecnologia operacional das empresas.

Apesar da clareza destes dados, estudos de mercado no setor empresarial revelam que apenas 15% das organizações investiram de forma proativa em medidas de proteção, enquanto a grande maioria do tecido empresarial mantém uma postura reativa, destinando recursos de tecnologias da informação apenas quando já ocorreu um incidente de segurança.

Para reverter esta tendência e obrigar a indústria a integrar mecanismos de defesa desde a conceção inicial do produto, a União Europeia promulgou a Lei da Ciber-resiliência, uma regulamentação que abrange todos os artigos com componentes digitais comercializados no mercado europeu, a qual exige que mantenham os seus padrões de proteção ao longo de toda a sua vida útil e que disponham de soluções garantidas para corrigir qualquer vulnerabilidade que possa surgir com o passar do tempo.

Os requisitos desta diretiva abrangem qualquer equipamento que possua uma ligação lógica ou física, seja direta ou indireta, com outro dispositivo ou rede corporativa.

Em resposta a estas exigências normativas e de mercado, os programadores estão a adotar o conceito de segurança desde a conceção, o que se traduz na implementação de uma raiz de confiança ancorada no hardware, módulos de plataforma de confiança para a gestão criptográfica e sequências de arranque protegidas. Os microcontroladores modernos integram todas estas funções diretamente no seu silício, garantindo que o sistema informático apenas execute código previamente assinado e autenticado ao ligar o equipamento, evitando assim o carregamento indesejado de software malicioso.

Todas estas inovações tecnológicas e estratégias de adaptação à nova legislação europeia serão o centro das atenções da indústria na feira Electronica 2026, que se realizará em Munique entre 10 e 13 de novembro.

A organização do evento destaca a necessidade de abandonar abordagens isoladas e abordar a cibersegurança como um desafio arquitetónico conjunto para toda a cadeia de valor do setor tecnológico.

Empresas como a Infineon irão expor soluções de segurança integradas para dispositivos incorporados, enquanto empresas como a Renesas apresentarão microcontroladores equipados com operações criptográficas isoladas em zonas de confiança e proteção contra ataques físicos de canal lateral. Por seu lado, a fabricante Texas Instruments apresentará componentes de processamento que incluem módulos de segurança por hardware e gestão avançada de chaves de encriptação.

O evento complementará a exposição puramente comercial com fóruns especializados e sessões de trabalho destinadas a fornecer orientação técnica aos diretores de compras e responsáveis pelo

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