O mercado de software de supply chain management (SCM) entrou em uma nova etapa de adoção de inteligência artificial, impulsionada pela evolução de assistentes para agentes capazes de executar tarefas de forma autônoma. A previsão da Gartner aponta que os investimentos em aplicações de SCM com capacidades de IA agêntica devem crescer de menos de US$ 2 bilhões em 2025 para US$ 53 bilhões até 2030, refletindo tanto a maior oferta dessas funcionalidades quanto a aceleração da demanda empresarial.
Na prática, a consultoria observa uma expansão que começa com assistentes de IA e agentes simples, desenhados para automatizar tarefas específicas da cadeia de suprimentos, como etapas rotineiras de planejamento, monitoramento ou execução operacional. Esses agentes mais simples tendem a liberar as equipes humanas para atividades de maior complexidade, ao mesmo tempo em que criam evidências mensuráveis de retorno de negócio nos próximos 12 a 18 meses.
À medida que esses ganhos forem comprovados, a tendência é que líderes de supply chain priorizem investimentos em grupos de agentes simples, capazes de orquestrar workflows de múltiplas etapas, com ou sem supervisão humana direta. Esse ponto é especialmente relevante para executivos responsáveis por compras de tecnologia, porque desloca a decisão de aquisição de uma análise centrada apenas em funcionalidades para uma avaliação mais ampla sobre interoperabilidade, governança e capacidade de coordenação entre diferentes agentes.
A Gartner destaca que a primeira onda de software de SCM com assistentes de IA já produziu impacto relevante no mercado. Agora, fornecedores buscam diferenciação competitiva ao incorporar agentes que executam tarefas simples de forma isolada ou colaborativa.
Nesse contexto, os critérios de procurement estão mudando rapidamente, com recursos de assistente de IA passando a ser exigência obrigatória em processos de seleção de software de SCM, enquanto agentes de IA já aparecem como requisito recorrente. Para fornecedores, a capacidade de evoluir para agentes avançados tende a representar vantagem competitiva sustentável ao longo da segunda metade do período analisado.
A consultoria projeta ainda que 60% das empresas usuárias de software de SCM terão adotado funcionalidades de IA agêntica até 2030, ante 5% em 2025. A curva de adoção, no entanto, não deve acompanhar no mesmo ritmo a disponibilidade da tecnologia ofertada pelos provedores.
O motivo, segundo a análise, está no descompasso entre a evolução do software e as demais camadas do modelo operacional da cadeia de suprimentos. Gestão de dados, processos operacionais, preparo da força de trabalho para uso de IA e integração em rede aparecem como fatores críticos para viabilizar implantações em escala.
Para os decisores de TI e líderes de compras, isso significa que a avaliação de plataformas não pode se restringir ao roadmap do fornecedor. A adoção em escala dependerá da maturidade interna em dados, operações e capacitação das equipes, além da definição do nível adequado de supervisão humana nas decisões automatizadas, sobretudo nas fases iniciais de implantação.
Outro ponto enfatizado pela Gartner é a necessidade de parcerias estratégicas com fornecedores de plataformas de SCM orientadas por IA, principalmente para garantir suporte robusto à orquestração de múltiplos agentes e ambientes multivendor. Em um mercado cada vez mais fragmentado, essa capacidade pode influenciar diretamente risco operacional, custo total de propriedade e velocidade de captura de valor.



