O panorama das ameaças informáticas está a ser reconfigurado principalmente pelo avanço da inovação em inteligência artificial e pela persistência das tensões geopolíticas a nível internacional, em que conjunturas como o escalar de posições entre os Estados Unidos e o Irão já provocaram um aumento de incidentes reais em infraestruturas críticas. Esta situação está a submeter a uma grande pressão os diretores de segurança da informação (CISO), sobretudo os das maiores organizações, que se veem obrigados a gerir programas de proteção cada vez mais complexos.
Para ajudar os responsáveis tecnológicos a planearem as suas defesas de forma eficiente, a empresa de análise Forrester Research publicou um relatório que detalha os riscos empresariais previstos para os próximos anos.
A evolução das ameaças de inteligência artificial transitou dos problemas iniciais de integridade dos dados até ao aperfeiçoamento das extorsões tecnológicas. Durante o ano de 2023, a principal preocupação dos departamentos de TI residia na confiança depositada nos grandes modelos de linguagem (LLM). Posteriormente, em 2024, o risco transferiu-se para a utilização desta tecnologia na facilitação de ataques baseados em campanhas de desinformação, na criação de conteúdos audiovisuais falsificados (deepfakes) e nas fugas de informação, evidenciando-se também as primeiras vulnerabilidades nos modelos de código aberto.
Ao longo de 2025, estes riscos evoluíram com a maturação técnica das falsificações, a adoção excessiva de sistemas generativos por parte das empresas e o aparecimento de incidentes de extorsão impulsionados por algoritmos avançados. Chegados a 2026, os quadros diretivos enfrentarão ciberataques quase autónomos executados por atores estatais.
Diferentes atacantes governamentais já estão a empregar modelos avançados para realizar campanhas de ciberespionagem, o que lhes permite automatizar e escalar a exploração de vulnerabilidades a uma velocidade sem precedentes. Como resposta a esta ameaça, os departamentos tecnológicos deverão preparar as suas defesas através da implementação de capacidades de segurança igualmente autónomas, fundamentadas em parâmetros de confiança, custo e utilidade.
Em paralelo, o uso empresarial de agentes pessoais de inteligência artificial introduzirá riscos operacionais ao funcionar em segundo plano e sem supervisão direta. Estas ferramentas podem aceder aos navegadores e às caixas de correio eletrónico de forma completamente opaca e à velocidade das máquinas, o que obrigará as empresas a inventariá-las exaustivamente e a governar a sua utilização através de plataformas dedicadas à gestão de fornecedores.
A proteção da infraestrutura exigirá assegurar a cadeia de abastecimento de software e aplicar controlos de identidade específicos para entidades autónomas. As organizações terão de documentar todos os componentes técnicos, exigir listas detalhadas de materiais (Software Bill of Materials) transparentes e aplicar regulamentos internos que limitem estritamente a margem de ação destes agentes.
Esta conjuntura força uma transição obrigatória na gestão de identidades e acessos (IAM), implicando o abandono dos sistemas tradicionais em favor da adoção de plataformas capazes de auditar a proveniência, os pedidos externos e as permissões de cada agente de forma individualizada.
Por fim, e segundo a Forrester, o incentivo à soberania digital a nível regional está a criar ambientes tecnológicos fragmentados que expõem as organizações às exigências regulatórias locais. Torna-se, por isso, imprescindível avaliar os fornecedores de tecnologia soberana como um risco adicional, mediante a realização de testes de esforço técnico e a aprovação expressa e obrigatória por parte dos responsáveis de segurança.










