A Cisco anunciou a disponibilidade do Antares, um conjunto de modelos de linguagem pequenos (small language models) destinados a resolver o problema técnico e económico que supõe a procura de vulnerabilidades conhecidas dentro de código-fonte. A sua disponibilização é feita através da plataforma Hugging Face, na qual a empresa publicou as versões Antares-350M e Antares-1B como modelos de pesos abertos, aguardando-se para breve o lançamento da versão Antares-3B.
Estes sistemas foram concebidos para serem suficientemente compactos para serem executados nos ambientes locais das empresas. Desta forma, evita-se a necessidade de enviar repositórios de código sensível para a nuvem, garantindo a privacidade e o cumprimento normativo nas organizações.
A Cisco fundamenta este lançamento na necessidade de oferecer ferramentas práticas que reduzam os elevados custos associados à utilização de modelos massivos, facilitando o acesso a estas capacidades a universidades, instituições do setor público e equipas de segurança com recursos limitados.
Segundo os testes realizados, estes novos modelos superam o desempenho de múltiplos sistemas de código aberto e fechado em tarefas críticas de segurança. A nível económico, as estimativas apontam para que a família Antares seja até 172 vezes mais económica do que alternativas fechadas como o GPT-5.5, e mais de quinze vezes mais barata do que o modelo de pesos abertos GLM-5.2.
O projeto técnico do Antares baseia-se em investigações prévias que demonstraram que os modelos compactos podem aprender estratégias de procura sem depender exclusivamente de uma grande dimensão computacional. No momento de operar, o Antares aplica um padrão de pesquisa iterativo semelhante ao de um analista humano: o sistema parte da descrição de uma falha, procura padrões relevantes, incorpora novas evidências e retifica a sua trajetória se a rota de inspeção não for útil, acabando por delimitar os ficheiros-chave.
O resultado entregue às equipas de segurança é uma classificação dos ficheiros-fonte com maior probabilidade de conter a falha, acompanhada pelo histórico de exploração no terminal que justifica essa conclusão. A Cisco adverte que o Antares não substitui o julgamento especialista dos programadores humanos, nem as restantes ferramentas da cadeia de cibersegurança, como as análises dinâmicas ou a varredura de segredos (secret scanning), que continuam a ser necessárias.
Para medir a eficácia deste sistema, foi necessário criar uma nova métrica denominada Vulnerability Localization Benchmark, segundo indica a multinacional norte-americana. Este novo padrão de avaliação consta de quinhentas tarefas específicas de segurança e surge porque os testes de programação gerais existentes não mediam adequadamente a capacidade de um agente para localizar ficheiros vulneráveis a partir de descrições técnicas de segurança ou avisos de ameaças em bases de código desconhecidas, aponta a Cisco.
Na mesma linha de argumentação, esta iniciativa enquadra-se num esforço mais amplo da empresa para estabelecer um ecossistema fiável na adoção corporativa da inteligência artificial, complementando outros projetos recentes como o Foundry Security Spec, para a avaliação de sistemas, e o CodeGuard, para a aplicação de regras de codificação segura.


