A Conferência Gartner Segurança & Gestão de Risco 2026 realiza-se nos dias 4 e 5 de agosto, no Sheraton São Paulo WTC Hotel, reunindo analistas, responsáveis de segurança, gestores de risco e líderes de tecnologia e de negócio.
Sob o tema “Mais Inteligentes, Rápidos e Fortes… Juntos”, o encontro será dedicado às mudanças que estão a transformar a forma como as organizações encaram a cibersegurança. A inteligência artificial surge como um dos elementos centrais dessa transformação, tanto pelo seu potencial de apoio às operações de segurança como pela capacidade de aumentar a velocidade e a complexidade dos ataques.
A principal mudança está na passagem de uma abordagem centrada na proteção dos ativos digitais para um modelo baseado também na antecipação do risco, na rapidez de resposta e na resiliência do negócio.
Esta evolução tem consequências diretas para os responsáveis pelas decisões tecnológicas. A segurança deixa de poder ser tratada apenas como um conjunto de ferramentas ou controlos técnicos. Passa a depender da capacidade de relacionar risco, continuidade de negócio, infraestrutura, aplicações, dados, identidades e inteligência artificial numa estratégia coerente.
É neste contexto que o evento se dirige a CISOs, CSOs e outros responsáveis pela segurança empresarial, mas também a gestores de risco, profissionais de infraestrutura e cloud, equipas de desenvolvimento, especialistas em privacidade, arquitetos e engenheiros de segurança. A amplitude do público reflete a própria transformação do problema. Num ambiente digital distribuído, a responsabilidade pela segurança já não termina no perímetro tradicional da organização.
O keynote de abertura, conduzido por Oscar Isaka, Diretor Analista Sénior do Gartner, irá abordar a forma como as organizações podem utilizar os atuais desafios da cibersegurança para reforçar a capacidade de adaptação e preparação. Entre os temas previstos estão a modernização das identidades humanas e de máquinas através da inteligência artificial e a utilização dos incidentes como parte de um processo contínuo de aprendizagem.
A ideia de que todos os ataques podem ser evitados dá lugar a uma abordagem em que a preparação para responder, aprender e recuperar assume um peso crescente.
A programação acompanha esta mudança de perspetiva. A liderança em cibersegurança será analisada a partir da necessidade de alinhar as iniciativas de proteção com os objetivos do negócio, gerir recursos e reforçar a confiança ao nível executivo. Em paralelo, a gestão do risco e a resiliência irão abranger áreas como privacidade, dependência de terceiros, inteligência artificial e tecnologia operacional.
A infraestrutura e a segurança na cloud constituem outra das áreas em destaque, com atenção à utilização de modelos zero trust e à integração da inteligência artificial na proteção de ambientes híbridos e operações distribuídas. Já a segurança de aplicações e dados deverá concentrar-se no desenvolvimento seguro, na proteção da informação e na criação de arquiteturas capazes de acompanhar os processos de transformação digital.
As operações de segurança terão igualmente uma presença relevante, sobretudo na utilização da inteligência artificial para apoiar a deteção, investigação e resposta a ameaças. O objetivo é acelerar processos que, num ambiente de risco cada vez mais dinâmico, dependem da capacidade de identificar sinais, avaliar a exposição e agir em tempo útil.
Para os responsáveis de tecnologia, a inteligência artificial apresenta-se assim numa dupla condição, como instrumento de defesa e como fator que aumenta a pressão sobre os modelos tradicionais de segurança.
O CISO Circle, dirigido às lideranças de segurança, acrescentará uma dimensão de gestão e relacionamento executivo, incluindo sessões sobre a relação com outros responsáveis de topo e sobre o papel da liderança na construção da resiliência cibernética.
A agenda inclui ainda áreas dedicadas à inteligência artificial, à gestão de identidade e acesso e à resposta a ambientes voláteis. Durante os dois dias, os participantes terão também contacto com mais de 50 fornecedores de soluções, casos de implementação e análises de mercado, incluindo apresentações do Gartner Magic Quadrant sobre o posicionamento de fornecedores de tecnologia.
Mais do que concentrar a discussão numa única tecnologia, o programa da conferência evidencia uma alteração na forma como a segurança está a ser encarada. A crescente dependência de ambientes cloud, aplicações, dados, identidades digitais e inteligência artificial aumenta a necessidade de decisões coordenadas entre equipas técnicas e responsáveis de negócio.
O desafio para as organizações passa, por isso, por transformar a cibersegurança de uma função predominantemente defensiva numa capacidade permanente de adaptação, resposta e continuidade.
É essa mudança que deverá atravessar os dois dias da conferência. Num cenário em que as ameaças evoluem rapidamente e a inteligência artificial acelera tanto a inovação como o risco, a vantagem poderá estar menos na procura de uma proteção absoluta e mais na capacidade de compreender a exposição, decidir depressa e recuperar com menor impacto.










