A Amazon Web Services abriu o re:Invent 2025 defendendo que o mercado corporativo se aproxima de um cenário em que sistemas autónomos irão operar lado a lado com equipas humanas, multiplicando a escala do trabalho e acelerando processos de negócio. O CEO da empresa, Matt Garman, sublinhou que esta evolução pode alterar a forma como as organizações extraem valor dos projetos de IA, num contexto em que muitos desses investimentos ainda não se traduziram em ganhos quantificáveis.
A AWS entende que os agentes autónomos poderão desbloquear o retorno que grande parte das empresas ainda não conseguiu alcançar com a IA generativa. Estudos recentes sustentam essa visão, incluindo uma análise do MIT que indica que a maioria dos projetos nesta área ainda não gera benefícios mensuráveis.
O responsável reconheceu, porém, que existe um desfasamento significativo entre as promessas e os resultados. A infraestrutura da empresa, do hardware às aplicações, passa assim a ser apresentada como um elemento central da estratégia para facilitar a adoção corporativa e a operacionalização em larga escala.
Infraestrutura, hardware e chips tornam-se pilares da estratégia
A empresa fundada por Jeffrey Bezos, reforçou a parceria tecnológica com a Nvidia e apresentou novas instâncias EC2 assentes na GPU Nvidia P6E-GB300, desenhadas para cargas de IA que exigem grande volume de dados e otimizações conjuntas ao nível de hardware e operações. Outro anúncio relevante foi o AWS AI Factories, serviço que leva infraestruturas de IA de elevado desempenho para data centers de clientes que precisam de manter dados e operações localizadas.
A empresa ampliou também a sua linha de chips proprietários, com a disponibilização dos novos ultraservidores Trainium 3, que usam litografia de três nanómetros e prometem ganhos de eficiência e capacidade. Esta tecnologia será utilizada em projetos de larga escala, como o treino de modelos Claude da Anthropic. A AWS adiantou ainda os primeiros detalhes do Trainium 4, previsto para um avanço significativo em desempenho e eficiência energética.
Bedrock recebe novos modelos e uma nova família proprietária
O Amazon Bedrock, plataforma que agrega modelos de vários fornecedores, recebeu 18 novas adições, incluindo sistemas da Google, Minimax e Nvidia. Vegas deu ainda as boas-vindas a família Nova 2, composta pelas versões Lite, Pro, Sonic e Omni, orientadas para diferentes cenários, desde tarefas multimodais quotidianas até processos complexos que necessitam de raciocínio avançado ou manipulação de múltiplos tipos de dados.
Em paralelo, a empresa revelou o Nova Forge, ferramenta que permite combinar dados corporativos com modelos alojados no Bedrock para criar sistemas avançados adaptados a cada organização. A proposta dirige-se a empresas que necessitam de modelos altamente especializados, mas não dispõem da escala necessária para treinar sistemas do zero. Entre os utilizadores iniciais estão organizações como Reddit, Sony e Booking.com.
Uma nova geração de Agentes
O Agent Core, plataforma lançada no verão, acrescentando capacidades de controlo operacional, avaliação contínua e gestão de limites através do módulo Policy. A empresa apresentou também um conjunto de agentes autónomos capazes de executar tarefas durante longos períodos, operar com milhares de fluxos simultâneos e manter contexto entre sessões.
O primeiro deles é o Kiro Autonomous Agent, desenhado para integrar ferramentas como GitHub ou Jira e replicar padrões de desenvolvimento utilizados internamente pelas equipas. Outros agentes incluem o Security Agent, focado na análise de vulnerabilidades, e o DevOps Agent, orientado para telemetria, monitorização e identificação de incidentes.
A empresa espera que estes agentes possam transformar a forma como as empresas gerem operações, segurança e desenvolvimento, reduzindo intervenções manuais e aumentando a consistência dos processos.
À medida que o dia avançava os palcos de Vegas parecem mais pequemos para tantos anúncios, é uma prática que deixa clientes, jornalistas e parceiros ao rubro. E a empresa pelo meio de cada nova solução ou produto divulgou dados que apontam para uma adoção acelerada deste tipo de tecnologia. Segundo a IDC, quase um quarto das organizações espera implementar IA agêntica de forma total no próximo ano, com dois terços a preverem fazê-lo até 2027.
Para responder a esta procura, foram anunciadas três novas categorias da AWS AI Competency, direcionadas para aplicações, ferramentas e consultoria especializadas em IA agêntica. A AWS afirma que clientes que trabalham com parceiros validados conseguem colocar soluções em produção 25% mais rapidamente. Desde 2024, a empresa investiu mais de 115 milhões de dólares para apoiar a adoção deste tipo de tecnologia através do ecossistema de parceiros.
Outro grande destaque do evento foi a expansão do AWS Transform, serviço que utiliza agentes de IA para modernizar aplicações e código legado. A solução já analisou mais de mil milhões de linhas de código e permitiu poupar mais de 810 mil horas de trabalho manual.
A nova versão permite agora modernizar qualquer sistema, incluindo código altamente personalizado, reforçando transformações de .NET Windows, SQL Server, mainframe e VMware. O serviço passa a oferecer modernização full-stack de ambientes Windows e amplia capacidades de migração para bases de dados de código aberto, podendo reduzir custos operacionais até 70%.
Casos de utilização apresentados incluem a Air Canada, que coordenou a atualização de milhares de funções Lambda em poucos dias, e a QAD, que reduziu processos de semanas para apenas alguns dias, com ganhos expressivos de produtividade. Thomson Reuters e Teamfront são outros exemplos de organizações que aceleraram migrações complexas e reduziram significativamente dívida técnica através desta solução.
Até mainframe tem direito a novas capacidades – nada fica fora de Vegas
O AWS Transform recebeu três novos agentes para modernização de mainframe, orientados para análise de atividade, reimaginação de código e decomposição funcional. No âmbito de VMware, a AWS introduziu capacidades avançadas de planeamento, migração de rede e uma ferramenta local de descoberta com suporte para requisitos de segurança.
A empresa lançou ainda uma iniciativa de componibilidade que permite a parceiros integrarem ferramentas e agentes próprios no AWS Transform, criando fluxos personalizados para setores como saúde e serviços financeiros.
Estas atualizações posicionam o Transform como um dos pilares operacionais da estratégia da empresa, direcionado para organizações que procuram migrar ambientes complexos e reduzir dívida técnica com apoio de IA.



